Uma overdose de sono, um olhar bêbado e o barulho de cada letra...
Em meio às imagens psicodélicas de um Windows Media Player tocando músicas sem parar desfragmentei o computador na busca de erros, ao esperar o tempo necessário desfragmentei a minha vida.
Percebi que vivi mais alegrias do que imaginei, que li mais do que havia previsto, e que sonhei mais que uma criança tomando mamadeira.
A vida me agraciou e continua a me apresentar belas cenas, mas nem só de risos se faz um punhado de músculos, ossos e sangue. A vida já me nocauteou, e eu levantei bravamente, me curando com rivotril e com cara feia venci as dificuldades.
Eu poderia ter vivido no lugar de Peter Gast, no entanto 113 anos me separam de ter sido um aluno de Friedrich Nietzsche, talvez há exatos 76 anos sem ao menos falar a primeira palavra eu teria morrido no naufrágio do transatlântico Titanic.
Bono tem 28 anos a mais do que eu, nunca pensou em me visitar. Terei de fazer isso por ele.
Gustave Eiffel não me pediu conselhos para construir sua torre, mas eu o perdôo e o admiro pela sua obra.
No dia das crianças ou se preferir de Nossa Senhora Aparecida do ano de 1931, às 19h 15min um senhor cujo nome eu só saberia anos depois, estendeu seus braços a fim de me abraçar.
Quando marcou verificação concluída e o fragmentado me perguntou se eu queria exibir o relatório, eu desliguei tudo e fui viver mais.
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