Nasceu presa junta as outras, olhava tudo lá de cima bem acomodada, tinha raízes para abraçar, água pra suar e ventos para desviar.
Naquela tarde quando viu estava com um pavio, não viu como ele foi parar lá, só ouvia homens iguais gritar para detonar.
Com um fósforo bem protegido e um fogo encolhido acederam sem pensar.
Quando o trajeto terminou as rochas o fogo tocou, voaram pedaços para todos os lados que rapidamente foram amontoados.
De um trator pro caminhão, de lá para uma estrada e enfim um terreno sem nada.
Foram logo espalhando e chamando gente para pintar, tudo estava preparado numa rua de nome estranho onde o novo caminho seria chamado.
Bem rápido lembrou da vida passada, agora somente de pedra era chamada, ficava lá servindo de manta para um monte de carro, de carroça e caçamba.
O calor era de torrar, a poeira de sufocar, o alivio só aparecia quando chovia.
Num belo dia um menino a pé passou, teve a sorte de ser pega, ser e pega e segurada.
Ele queria jogar, jogar pedra no mar, mirou com a perna direita na frente e jogou contra corrente, a pedra logo afundou, bateu na areia gelada e lá ficou calada.
Só ousava sair de lá quando uma onda das grandes chegava com força.
Lembrou da vida na montanha mais preferia agora o mar, aquele mar onde a cada dia se tem uma história pra contar.
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