12 de fevereiro de 2011

Pombos Urbanos


As pipocas digeridas, o açúcar que deixamos nos dentes, o cheiro adocicado, os dedos melados e a saliva abundante, o saquinho branco que depois vira bolinha. Entre uma lambida e outra nos lábios os milhos que não estouraram se vão ao arremesso no lixo.

A bola do arremesso menosprezada é o banquete dos pombos urbanizados, eles sabem melhor do que cada um de nós valorizar as pequenas coisas. Sobre seus passos elegantes e vagarosos eles desfilam em meio às árvores e canteiros saturados de flores miúdas.

E quem nunca se viu prezo no universo dos pombos certamente anda pisoteando alguns em meio a sua pressa estúpida, os que perceberam seu cotidiano sem sombra de dúvidas já se depararam com uma estátua esculpida com fezes esbranquiçadas ou a lataria do carro preto mais parecendo um carro alegórico de dalmata.

Experimente espantar um pombo, duas ou três batidas de asas e ele pousará novamente virando-se de costas, os pombos sabem ignorar o que os incomodam, ao contrário de nós que corremos desesperadamente dos nossos problemas.

As travessuras dos pombos devem ser vistas como as travessuras de uma criança, precisamos vê-los como Muttley, e fingir detestá-los para se enquadrar nessa pressa e moda estúpida. A sua e a minha estupidez.

Somos pouco pombo e muito águia, muito mais do que imaginamos ser.

Um comentário:

  1. Muito legal, Tiago. Nunca parei para pensar que os pombos podiam nos ensinar alguma coisa.

    abraços!

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